|
|
![]() |
|
História :: Cuba JOÃO BONTURI da Folha Online A luta do século Para o historiador Eric Hobsbawn, o século 20 caracteriza-se pelo confronto entre o capitalismo e o socialismo. Esse conflito, iniciado com a Revolução Russa de outubro de 1917, termina em 1991, com a dissolução da URSS. O período entre-guerras (1919-1938) é marcado pela polarização ideológica entre as ditaduras fascistas e o regime soviético. Na Segunda Guerra Mundial, verificada entre 1939 e 1945, a derrota nazi-fascista só é possível com o auxílio soviético. EUA, URSS, França e Inglaterra eram aliados. Termina uma guerra e começa outra Na Conferência de Yalta (1945), que consagra a expansão soviética no Leste europeu, aparece o novo meridiano entre o capitalismo e o socialismo. Inicia-se a Guerra Fria, que se caracteriza pela divisão do mundo em duas esferas de influência, a norte-americana e a soviética. Um estado de tensão, provocado pela existência de um arsenal nuclear capaz de destruir o mundo várias vezes, manteve o suspense. O Auge da Guerra Fria Quando tudo chama a atenção para a Europa dividida, cabe à ilha de Cuba o papel de pivô de uma situação que é o auge da Guerra Fria, quase deflagrando a Terceira Guerra Mundial. Em janeiro de 1959, Fidel Castro e seus barbudos derrubam o ditador Fulgêncio Batista e iniciam o caminho em direção ao socialismo. É um tremendo golpe para os EUA, que inicialmente viam Fidel como mais um general de plantão no governo de uma república bananeira da América Latina. Temerosos de uma expansão vermelha no seu quintal, os americanos treinam exilados cubanos para invadir a ilha, porém a investida da baía dos Porcos fracassa. Castro, preocupado com a possibilidade de uma nova investida ianque, aproxima-se dos soviéticos e aceita, representado em Moscou pelo legendário Che Guevara, a instalação de bases de mísseis soviéticos em Cuba. Com uma espionagem digna de um filme de 007, os americanos fotografam as obras de construção de rampas de lançamento. Em 22 de outubro de 1962, o presidente dos EUA, John Kennedy, publica as fotos, anuncia um bloqueio a Cuba e faz, num discurso transmitido ao vivo por rádio e TV, uma ameaça de ataque à URSS, caso algum míssil fosse disparado contra o território norte-americano. O mundo treme de medo por quatro dias. Em 26 de outubro, Kennedy recebe uma carta do primeiro ministro soviético Nikita Kruschev, pela qual os soviéticos aceitam retirar os mísseis, sob supervisão da ONU, se os americanos prometerem não invadir Cuba. Acordo selado, fantasma da catástrofe nuclear afastado. Consequências para Cuba e América Latina Os americanos não perdoam a ousadia de Fidel. O bloqueio decretado por Kennedy é mantido até hoje, e nem os sermões do papa João Paulo 2º, em sua visita a Cuba, conseguiram retirá-lo. A América Latina sofre com o episódio. Nenhum centímetro do território latino-americano poderia ser socialista. A longa noite das ditaduras sanguinárias desceria sobre o continente. No Brasil, a euforia pelo alívio da possibilidade da guerra nuclear produz uma marchinha carnavalesca que vale a pena lembrar: "O Brasil vai lançar foguete / Cuba também vai lançar / Lança, Cuba lança / Quero ver Cuba lançar". Concluindo: Cuba não lançou, mas o Brasil balançaria a partir de 31 de março de 1964. |
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online. |