PREVISTA PARA A PROXIMA PRIMAVERA A GUERRA NA EUROPA


Publicado na Folha da Manhã, terça-feira, 6 de dezembro de 1938

Neste texto foi mantida a grafia original

Sensacionaes declarações feitas á imprensa pelo sr. Pirow, ministro da Defesa da União Sul-Africana

LONDRES, 5 - O sr. Oswaldo Pirow, ministro da Defesa da União Sul-Africana, fez declarações á imprensa, predizendo uma guerra européa para a proxima primavera, a menos que a presente tensão internacional tenha um fim. Ao mesmo tempo, disse o sr. Pirow ser de grande necessidade um emprestimo internacional, bem como doação de terras, que viessem resolver o problema dos refugiados, dizendo:
"A Europa caminha para a guerra, uma guerra que nenhuma nação deseja, mas contra a qual todos os governos estão se preparando.
A não ser que haja uma completa mudança das perspectivas actuaes, dentro de um ou dois mezes, a tensão internacional attingirá, na primavera do proximo anno, seu ponto de explosão.
Esta situação tragica existe desde a data do accordo sobre a Checoslovaquia. Não ha em principio nenhum perigo, que justifique a guerra ou que a torne inevitavel. A marcha para a guerra é determinada puramente por factores psychologicos.
Mesmo a questão dos refugiados - e eu a trago á baila porque ella é mais do que o problema de um povo - é passivel de um ajuste, relativamente facil. Duas coisas são necessarias para uma tal solução: primeiro - dinheiro para arranjar lugar, onde collocar os refugiados, que não o podem trazer consigo proprios; segundo - terras onde localizar os que não têm dinheiro, ou que, apesar de o terem, são barrados pelas leis de immigração."
Disse o sr. Pirow: - "Um emprestimo internacional, pelo qual seriam responsaveis os paizes que se querem libertar de seus refugiados, mas que seria ajudado, tambem, por outras grandes potencias, resolveria a primeira questão. Quanto á questão da terra, ha mais do que o sufficiente, em terrenos adequados, que poderiam formar uma entidade, ou mesmo um Estado, ou, ainda, um mandato, onde poderiam ser estabelecidos duas vezes mais refugiados do que os provavelmente existentes.
O que porém falta é boa vontade, tanto da parte dos paizes que desejam fazer sahir de seus territorios os refugiados, como da dos que professam sentir pena dos mesmos, sem levar a effeito qualquer sacrificio util.
Os primeiros estão preparados apenas para dar-lhes os passaportes; os segundos, estão de accordo entre si com a sympathia pelos refugiados, apenas.
A attitude internacional a esse respeito, não é, por si mesma, uma razão para a guerra, mas é symptomatica do estado de espírito que não está preparado para fazer nenhum sacrificio apreciavel, em favor da paz.
Enquanto perdurar esse estado de espirito, a marcha para a guerra - que se accelera cada vez mais - continuará para a frente".


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